A INCRÍVEL NECESSIDADE DE ESCREVER

A Poesia não é um exercício. É uma experiência.
A Poesia é um modo peculiar de “tirar” as pessoas da banalidade, de lhes outorgar a sua singularidade.
O Poema, uma língua “partida”, traz as suas cicatrizes.
As cicatrizes são os estados em que a língua estremece, no lapso, ao inventar uma palavra ou ao usar um gesto gráfico.
No Poema há um mal-estar que permite que o “eu” faça uma viagem até a uma fonte .
Depois o sujeito, já acompanhado pelo eu poético e pela exposição, achará um caminho.
Há uma espécie de intercomunicação que se faz e que nunca um sistema político fará.
De todos os discursos que existem hoje, o único discurso que conversa com a transformabilidade do psíquico, da sobrevivência do indivíduo, da pessoa humana, é a Poesia.
A Poesia preserva a liberdade do indivíduo.
A Poesia é polifónica.
Quando não se entra fundo, a Poesia acaba por ser um partido.

 

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▪ Maria Azenha
( Portugal 🇵🇹 )
in “ Reflexões “