RENUNCIO

Toldaste o meu Outono
limpaste a frente da minha casa
das folhas da minha memória
a fusão do ser e do saber
que sempre procuro

Agora decidi matar-te no próximo inverno
renunciando ao lugar do sono comum

A terra continuará a mover-se
e sei que sempre encontrarei uma palavra
que me ajudará a sucumbir.

 

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▪ Luis Rodrigues
( Portugal 🇵🇹 )

 

Por favor, levem-me para casa!

Não sei como voltar para casa
não tenho a certeza do caminho ___
___ há quem me queira guiar
diz que é meu filho
não sei bem o que é ser filho
a sua cara é de alguém que conheci
há muito tempo
Todos querem que eu lhes diga o meu nome
e eu sei lá como é um nome
muito menos o meu ___
___ como se os pudesse ouvir
no meio desta multidão de silvos e gritos
que trago na cabeça
que me fazem ficar calmo ___ assustado
Deixem-me assim sem peso
para que não me lembre
que não me lembro de nada
Não falo porque não sei as palavras
não choro porque não sei as lágrimas
não morro porque não sei como se faz

Por favor, levem-me para casa!

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▪ Luis Rodrigues
( Portugal 🇵🇹 )
in ” Poemas para o futuro”