░ Infância

Até aos limites da tua vida
Levarás tua infância.
Andreé Chedid

Os seis anos que se passaram
agora que és grande, Natalia,
são a vida. Começa para ti
a travessia, já entenderás.
A vida é a infância. Mira:

Quando soltaste as mãos
da manivela pela primeira vez,
o quarto da minha avó,
algo do jardim, Chacao,
um gato. O dia

que fomos de Turmero
a Caracas, eu ao volante,
e justo depois de Paracotos,
impaciente por chegar perguntavas
depois de cada curva, a cada minuto:

-¿Onde fica tua casa?

_
▪ Yolanda Pantin
(Venezuela, n. 1954)
Do livro inédito “Bellas Ficciones”, 2016
Publicado com prévia autorização da autora
Mudado para português por – Gustavo Petter (Araçatuba/SP, Brasil)
Publica poemas e traduções na página agradaveldegradado.blogspot.com.br



VERSÃO ORIGINAL/ VERSIÓN ORIGINAL

Infancia

Hasta los bordes de tu vida
Llevarás tu infancia
Andreé Chedid

Los seis años que han pasado
ahora que eres grande, Natalia,
son la vida. Comienza para ti
la travesía, ya lo entenderás.
La vida es la infancia. Mira:

Cuando soltaste las manos
del manubrio la primera vez,
el cuarto de mi abuela,
algo del jardín, Chacao,
un gato. El día

que fuimos de Turmero
a Caracas, yo al volante,
y justo después de Paracotos,
impaciente por llegar preguntabas
después de cada curva, a cada rato:

-¿Dónde queda tu casa?

_
▪ Yolanda Pantin
(Venezuela, n. 1954)
Do livro inédito “Bellas Ficciones”, 2016

░ Candelária

Hoje saíram os vizinhos
com seus cães, os casais,
os velhinhos sem pensá-lo
com as flores.

Não há mortos que valham para eles,
tampouco para mim quando os vejo
vestidos os domingos nos parques.
Ai, esse rapaz com o dálmata!

Pode a beleza conquistar o dia
e acima do luto, ainda que doa
todavia: luz, candeia, candelária.

 

_
▪ Yolanda Pantin
(Venezuela, n. 1954)
Do livro inédito “Bellas Ficciones”, 2016
Publicado com prévia autorização da autora
Mudado para português por – Gustavo Petter (Araçatuba/SP, Brasil)
Publica poemas e traduções na página agradaveldegradado.blogspot.com.br



VERSÃO ORIGINAL/ VERSIÓN ORIGINAL

 

Candelaria

Hoy salieron los vecinos
con sus perros, las parejas,
los viejitos sin pensarlo
con las flores.

No hay muertos que valgan para ellos,
tampoco para mí cuando los veo
vestidos los domingos en las plazas.
¡Ay, ese muchacho con el dálmata!

Puede la belleza conquistar el día
y sobre el luto, aunque duela
todavía: luz, candela, candelaria.

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▪ Yolanda Pantin
(Venezuela, n. 1954)
Do livro inédito “Bellas Ficciones”, 2016