Todos nós nascemos loucos.
Alguns permanecem.
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▪ Samuel Beckett
( Irlanda 🇮🇪 )
Todos nós nascemos loucos.
Alguns permanecem.
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▪ Samuel Beckett
( Irlanda 🇮🇪 )
Le problème est que nous cherchons quelqu’un pour vieillir ensemble , alors que le secret est de trouver quelqu’un avec qui rester enfant.
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▪ Charles Bukowski
( E.U.A. 🇺🇲 )
Aprendi que ninguém precisa saber que estamos tristes ou como anda a nossa vida. Aprendi que, qualquer que seja o problema que tenhamos, ele pertence só a nós.
Aprendi a guardar as dores e os momentos difíceis só pra mim. Aprendi também que os melhores textos saem sempre das mãos de quem sabe isolar-se e tem como companhia apenas o silêncio.
Aprendi igualmente que ninguém se importa como estamos, nem como foi o nosso dia. Aprendi que poucos dão valor ao que fazemos por eles, e poucos sabem valorizar a nossa companhia.
Aprendi a não me importar com a forma como agem comigo e a não guardar mágoas no coração. E, por isso, sou diferente de muitos. Aprendi a não me importar com os pensamentos de fulano ou sicrano, que não conheço, nem sabem quem sou.
E, hoje, só me importo com o bem-estar que posso proporcionar aos que amo e a viver com a felicidade no meu sorriso.
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▪ Helena Sacadura Cabral
( Portugal 🇵🇹 )
Não entregues o cuidado de governar o coração a essas ternuras semelhantes ao outono do qual imitam o ritmo plácido e a agonia afável. O olhar enruga-se precocemente. O sofrimento conhece poucas palavras. É melhor que te deites sem fardos: sonharás com o futuro e a cama ser-te-á leve. Sonharás que a tua casa não tem vidros. Estás impaciente para te unires ao vento, ao vento que numa noite percorre um ano. Outros cantarão a encarnação melodiosa, a carne que não personifica senão o feitiço da ampulheta. Tu condenarás a gratidão que se repete. Mais tarde, identificar-te-ão a um qualquer gigante desintegrado, senhor do impossível.
E no entanto.
O que fizeste apenas aumentou o peso da tua noite. Voltaste à pesca nas muralhas, à canícula sem verão. Estás furioso contra o teu amor no centro de uma conivência aflita. Idealizas a casa perfeita que nunca verás edificada. Para quando a safra do abismo? Mas tu vazaste os olhos do leão. Tu julgas ver a beleza passar por cima das lavandas negras…
O que é que te ergueu, ainda uma vez, um pouco mais alto, sem te convencer?
Não há morada pura.
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▪René Char
( França 🇨🇵 )
Mudado para português por Soledade Santos
Eu não poderia viver em nenhum dos mundos que me são oferecidos — o mundo dos meus pais, o mundo da guerra, o mundo da política. Tive de criar um mundo só meu, como um clima, um país, uma atmosfera em que pudesse respirar, reinar e recriar-me quando destruído por viver. Essa, acredito, é a razão de toda obra de arte.
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▪Anaïs Nin
( França 🇨🇵 )
in “O Diário de Anaïs Nin”
Subsolo
A Ordem de Cristo não tem graus, templo, rito, insígnia ou passe. Não precisa reunir, e os seus cavaleiros, para assim lhes chamar, conhecem-se sem saber uns dos outros, falam-se sem o que propriamente se chama linguagem. Quando se é escudeiro dela não se está ainda nela; quando se é mestre dela já se lhe não pertence. Nestas palavras obscuras se conta quanto basta para quem, que o queira ou saiba, entenda o que é a Ordem de Cristo — a mais sublime de todas do mundo.
Não se entra para a Ordem de Cristo por nenhuma iniciação, ou, pelo menos, por nenhuma iniciação que possa ser descrita em palavras. Nãos se entra para ela por querer ou por ser chamado; nisto ela se conforma com a fórmula dos mestres: «Quando o discípulo está pronto, o Mestre está pronto também.» E é na palavra «pronto» que está o sentido vário, conforme as ordens e as regras.
Fiel à sua obediência — se assim se pode chamar onde não há obedecer — à Fraternidade de quem é filha e mãe, há nela a perfeita regra de Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Os seus cavaleiros—chamemos-lhes sempre assim — não dependem de ninguém, não obedecem a ninguém, não precisam de ninguém, nem da Fraternidade de que dependem, a quem obedecem e de que precisam. Os seus cavaleiros são entre si perfeitamente iguais naquilo que os torna cavaleiros; acabou entre eles toda a diferença que há em todas as coisas do mundo. Os seus cavaleiros são ligados uns aos outros pelo simples laço de serem tais, e assim são irmãos, não sócios nem associados. São irmãos, digamos assim, porque nasceram tais. Na ordem de Cristo não há juramento nem obrigação.
Ela, sendo assim tão semelhante à Fraternidade em que respira, porque, segundo a Regra, «o que está em baixo é como o que está em cima», não é contudo aquela Fraternidade: é ainda uma ordem, embora uma Ordem Fraterna, ao passo que a Fraternidade não é uma ordem.
s.d.
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▪ Fenando Pessoa
( Portugal 🇵🇹 )
in “Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética – Fragmentos do espólio.”
Fernando Pessoa- (Introdução e organização de Yvette K. Centeno.) Lisboa: Presença, 1985.
“Subsolo”
Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.
(…)
Andam à tua volta para ver por que fresta podem entrar para dentro de ti, da tua vida. Adulam-te. Chegam alguns a dizer que és «o maior». A despropósito. Como sabes, raramente alguém é «o maior». Medem o que escreves com marcas atléticas ou espalham que na adjectivação é que tu és forte, imbatível. Acreditas? Querem extrair de ti todo o sumo de jocosidade de que te afirmam prenhe. Contam-te como uma anedota. És tão engraçado, sabias? Irreverente é o que és, dizem outros. Brincalhão apenas, propalam uns quantos.
Quando falas ou simulas falar de ti próprio e amalgamas passado, presente, futuro, há sempre os que perguntam se o que contaste é verdade ou não. Nunca indagam se vai ser verdade. O que lhes interessa é saber, com a curiosidade dos intriguistas, se o que se passou (ou parece ter-se passado) se passou mesmo contigo. É um erro de gente vulgar. Parasitários que são, qualquer invenção ou patranha, qualquer «mentir verdadeiro» é acepipe biográfico, é pretexto para te enfileirarem na nulidade biográfica que é a deles próprios e tecerem incansavelmente histórias a teu respeito.
Não te deixes seduzir pelo gosto da conversa. Essa pequena gente não merece a mais pequena atenção, nem tu precisas de espectadores para o salutar exercício diário de falar por falar.
E lembra-te do provérbio do Almada: «Não metas o nariz na vida dos outros se não queres lá ficar.» Do mesmo modo, não deixes que metam o nariz na tua vida. Caso contrário, vais ficar cheio de gente, com a sua vida escassamente interessante. O tombo da vida vulgar já foi feito por escritores como Camilo. E tenho a impressão de que, no essencial, a vida vulgar continua a mesma.
Desunha-te a escrever (olha que já tens pouco tempo!), mas fá-lo com a discrição e a reserva de quem não se dá às primeiras. É outro exercício salutar.
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▪ Alexandre O’Neill
( Portugal 🇵🇹 )
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Todo o espírito profundo precisa de uma máscara.
Friedrich Nietzsche
in “Para além de bem e mal”
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