ANTES DO CLARÃO

Vestida de água, lavam-lhe o corpo,
mãos lentas, líquidas,
bordando segredos no silêncio da solidão.
O vestido, desmaiado na terra,
conversa com as pedras.
Uma pomba,num gesto de alheamento
entre flores brancas e amarelas,
pousa no chão.

O céu,sem tempo,espera
quieto.

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▪ Maria Azenha
( Portugal 🇵🇹 )

NA FRÁGIL LUZ DAS PAISAGENS

No outono as cidades amarelecidas prolongam-se
para dentro de guarda-chuvas abertos
que teimam socorrer os amantes de um dilúvio universal.

Algumas folhas de árvores esvoaçam como aves
em estado de chamas na frágil luz das paisagens.

Há bilhetes de outono espalhados por toda a parte,
alguns tristes,
outros dão para uma porta fechada que se pode abrir
a qualquer instante.

Quando entrei em casa não havia ninguém lá dentro.
Nem o inverno me esperava.

 

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▪ Maria Azenha
( Portugal 🇵🇹 )

in “A Casa da Memória”, Editora Urutau, 2024

 

 

SOBRE LA FRÁGIL LUZ DE LOS PAISAJES

 

En otoño las ciudades empalidecidas se prolongan
hacia dentro de paraguas abiertos
que se empeñan en socorrer a los amantes de un diluvio universal.

Algunas hojas de árbol revolotean como aves
en llamas sobre la frágil luz de los paisajes.

Hay mensajes de otoño esparcidos por todas partes.
algunos tristes,
otros dan a una puerta cerrada que se puede abrir
en cualquier momento.

Cuando entro en casa no hay nadie dentro.
Ni el invierno me aguarda.

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▪ Maria Azenha
( Portugal 🇵🇹 )

Mudado para castelhano por José Ángel Cilleruelo ( 🇪🇸 )
 
 

ACOLHIMENTO  *  APRESENTAÇÃO DE LIVRO  

 *

Apresentação do Livro A CASA DA MEMÓRIA De Maria Azenha
01 OUT 2024 – Terça-Feria às 18h30

 

Rua Coelho da Rocha, 16-18
Campo de Ourique
1250-088 Lisboa

Tel.: +351 213 913 270

Entrada livre, sujeita à lotação
Bilhetes disponíveis a partir das 17h30

 

*
Com Maria Azenha e apresentação de Risoleta C. Pinto Pedro
Leitura  de poemas por Denise Pereira
*

 

Alegra-te comigo

Alegra-te comigo, celebremos a sorte
de partilhar este poema.
Toquemo-lo com o sol da meia-noite
e com a luz do meio-dia.
Com ele exorcizemos a água dos refúgios
por entre palavras fendidas.

À sombra dos dragões do céu
silenciemos a nossa imensa solidão.

 

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▪ Maria Azenha
( Portugal 🇵🇹 )