VIAGEM

A demolidora clarividência das minhas palavras é um punhal abrindo
a página até ao coração. O poema é múltiplo e atinge violentamente o nosso
rosto.
Certa palavra, inventada por Bleuler, é tão potente que torna estranho
quem a possui. Se considerarmos lógico possuir uma palavra, o poeta
tem um percurso a realizar. Embarca para uma viagem de que volta perigosamente
lúcido. Morte e renascimento fizeram dele um outro, capaz de
penetrar a textura do mundo.

 

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▪ Isabel de Sá
( Portugal 🇵🇹 )
in “Repetir o poema”, Edições Quasi, Vila nova de Famalicão, 2005

 

SEGREDO DE UM CAMPONÊS

Queimei uma vela de sebo por cada
árvore da floresta
e por cada noite de insónia
a céu aberto
Lancei uma pedra à água
por cada nuvem no céu
e por cada espiga nas searas
Forjei uma ferradura por cada
barco no lago
e por cada ano que vivi

Ainda há tanto que esperar
Ainda há tantos enigmas por resolver.

 

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▪ Tor Ulven
( Noruega 🇲🇨 )
in “DiVersos – Poesia e Tradução”, nº. 17, Edições Sempre-Em-Pé, 2012

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Mudado para português por _ José Carlos Marques; Pedro Fernandes e Sérgio Madeira Lopes 🇵🇹



BONDENS HEMMELIGHET

 

Jeg har brent ett talglys for hvert
tre i skogen
og for hver søvnløse natt
under åpen himmel
Jeg har kastet èn stein i vannet
for hver sky på himmelen
og for hvert aks i åkeren
Jeg har smidd èn hestesko for hver
båt på innsjøen
og for hvert år jeg har levd

Ennå er det lenge å vente
Ennå finnes mange uløste gåter

 

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▪ Tor Ulven
( Norge 🇲🇨 )