“Preciso de um pai, preciso de uma mãe, preciso de um ser velho e mais sábio para chorar.
Falo com Deus mas o céu está vazio.”
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▪ Sylvia Plath
( E.U.A. 🇺🇲 )
“Preciso de um pai, preciso de uma mãe, preciso de um ser velho e mais sábio para chorar.
Falo com Deus mas o céu está vazio.”
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▪ Sylvia Plath
( E.U.A. 🇺🇲 )
SONHO: estou sentado à mesa com os meus antepassados. mortos.
as crianças brincam com as bonecas de cabeça de corvo.
os meus antepassados. mortos. dão gargalhadas.
comem e brindam à vida. ao sangue acidulado das crianças e dos animais.
as crianças olham-nos. brincam com as bonecas. feitas de trapos.
brincam. com as bonecas. ao lado, as mães. tristes e velhas.
as crianças saltam. dançam. riem. não sabem que é um banquete
de mortos.
riem para dentro dos espelhos com a inocência dos animais.
deslumbrantes.
as crianças trazem em si a agilidade dos espelhos. a grande sabedoria:
sabem, não sabendo, que os mortos vivem entre nós.
que circulam em nós. como nós. nas casas. no mistério dos rostos.
na luz das velhas fotografias – persistentes e viris como um abandono.
(Breslávia, outono 2010)
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▪ Luís Costa
( Portugal 🇵🇹 )
Poemas eslavos
in “Vozes periféricas”
Não gosto de contar os desastres em detalhe
mas, se quiserem, posso escrever uma lista com nomes e camas.
Sou bem capaz de molhar o pezinho na história da barbárie,
condecorar o medo,
cortar-me a mão com que limpo as feridas
de uma civilização em queda.
Posso perfeitamente
ir afiando o gume da esperança
com a flor branca de um cancro.
Sou, em definitivo, este comediante de rua
que serve a desconhecidos,
em copos pequenos,
a medida certa da sua agonia.
Descobre sonhos
onde outros só encontram coelhos.
Hoje por exemplo, quando tirou as luvas,
viu que lhe faltavam dedos.
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▪ Golgona Anghel
( Portugal 🇵🇹 )
in “Como uma flor de plástico na montra de um talho”, 2013
Não esqueço os mortos
Não esqueço os heróis
Não esqueço
o luto
das famílias
Todos silenciosos
Denuncio
publicamente
a nossa cobardia
e quem mente
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▪ António Reis
( Portugal 🇵🇹 )
in ” Poemas quotidianos”
Aos dez anos achava
que o mundo era dos adultos.
Podiam fazer amor, fumar, beber à vontade,
ir aonde quisessem.
Sobretudo, esmagar-nos com seu poder indomável.
Agora sei, por vasta experiência, o lugar comum:
em verdade, não há adultos,
só crianças envelhecidas.
Querem o que não têm:
o brinquedo do outro.
Sentem medo de tudo.
Sempre obedecem a alguém.
Não dispõem de sua existência.
Choram por qualquer coisa.
Mas não são valentes como eram aos dez anos:
fazem-no à noite e em silêncio e sozinhos.
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▪ José Emílio Pacheco
( México 🇲🇽 )
Mudado para português por Nelson Santander
Toldaste o meu Outono
limpaste a frente da minha casa
das folhas da minha memória
a fusão do ser e do saber
que sempre procuro
Agora decidi matar-te no próximo inverno
renunciando ao lugar do sono comum
A terra continuará a mover-se
e sei que sempre encontrarei uma palavra
que me ajudará a sucumbir.
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▪ Luis Raimundo Rodrigues
( Portugal 🇵🇹 )
Os profetas vieram para participar do sofrimento
como se fossem a um parque de diversões, que faz de
nosso sofrimento a atração principal.
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▪ Kaveh Akbar
(Irão 🇮🇷 )
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