Pensar
é como tactear uma sombra
entrar de rastos
numa profusão de escuros
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▪ Ana Hatherly
(Porto, n. 1929-2015)
in “Fibrilações”, Quimera Editores, Lisboa, 2005
Pensar
é como tactear uma sombra
entrar de rastos
numa profusão de escuros
_
▪ Ana Hatherly
(Porto, n. 1929-2015)
in “Fibrilações”, Quimera Editores, Lisboa, 2005
As noites que dormi entre rostos e palavras,
Corpos dobrados pelo vento,
Linhas para que olhei enfeitiçado
Nos confins dos meus sonhos.
Noites geladas da Europa, o meu corpo no gueto
Mas sonhando.
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▪ Roberto Bolaño
( Chile 🇨🇱 )
in “La Universidad Desconocida”
Mudado para português por _ Carlos Vaz Marques 🇵🇹 Jornalista, tradutor e editor português
Continuas aí, Norma Jeane,
a romper os espelhos de Los Angeles
à espera de uma porta que se abra
e que te diga “amo-te”?
Deves saber
que os orfanatos não têm telefones
para o silêncio.
Um dia, se quiseres,
manda-me pelo WhatsApp uma mensagem.
Sabes que estou aqui.
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▪ Maria Azenha
( Portugal 🇵🇹 )
Chove
E o mundo é grande
Igual a um deserto
Que não cabe em nós
Nunca somos de um mundo apenas
É isso que nos dói
Quando andamos sobre o soalho
Desta casa
Escoando para as fendas os barcos que a vida tem
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▪ M Céu Costa
( Portugal 🇵🇹 )
in “E eu era a casa“, Editora Urutau, 2022
Um pastor sempre tem necessidade de um carneiro que sirva de guia ao rebanho.
Ou então é constrangido a fazer-se de carneiro.
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▪ Friedrich Nietzsche
( Alemanha 🇩🇪 )
in “Além do Bem e do Mal “, Aforismos
O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros.
Às vezes, quando duas pessoas estão juntas, apesar de falarem,
o que elas comunicam silenciosamente uma à outra
é o sentimento de solidão.
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▪ Clarice Lispector
( Brasil 🇧🇷 )
in “A Descoberta do Mundo”, Relógio D’Água, 1999.
Portanto farei uma escada no coração.
E pelos degraus subirei da minha casa
Até bater com o pensamento no altíssimo.
Apagarei os passos e o cérebro como um rasto no deserto
Sempre atento como a águia quando fixa o sol
Sem pestanejar.
Farei portanto a escada no deserto para fixar
A luz.
Da minha casa subirei sem palavras
Em silêncio, portanto, pisando o coração.
–
▪ Daniel Faria
( Portugal 🇵🇹 )
in “Quasi Edições, 2003”
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