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▪ Walter Franco
(Brasil 🇧🇷 )
Con la carne en paz se miran
los amantes;
traen de otros aires la levedad
del tiempo.
Se miran sorprendidos
el perfil
ante el espejo
que envejeció de pronto.
Algo se quiebra ante sus ojos:
ella se cubre,
él inicia la fuga
sin moverse.
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▪ Antonio Aliberti
( Argentina 🇦🇷 )
Quando a morte chegar e sussurrar:
“Os teus dias chegaram ao fim”,
vou dizer-lhe: “ Vivi em amor
e não no tempo.”
Se ela perguntar: “ E as tuas canções sobreviverão? “
Responderei: “ Não sei, mas de uma coisa tenho a certeza,
é que quando canto, encontro a minha eternidade.”
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▪ Rabindranath Tagore
( Índia 🇮🇳 )
Mudado para português por José Agostinho Baptista
Os malefícios da multidão.
As sequóias sequiosas na sequência das secas.
As consequências de um choro na configuração do rosto.
A erva destrói o exterior da moradia.
O tédio é fraca compensação dos compromissos.
Que dizeis a este fim de caminho, onde o escritor recupera
a verdadeira solenidade da Afirmação?
Não conheço outro modo de escrever, isto é,
de substituir ao arrojo invertebrado da juventude
a coragem de uma lúcida conveniência. Assim,
renuncio ao pessimismo em proveito de outros sentimentos
mais fecundos – o nojo, o orgulho, o desejo nunca satisfeito.
Se acaso me ouvis
– não terei eu razão?
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▪ Nuno Júdice
( Portugal 🇵🇹 )
in “Obra Poética (1972-1985), Quetzal Editores, Lisboa, 1999
– Foi Copérnico quem primeiro viu a estrela pular.
– Os terroristas raciocinam por explosão de partes.
– Vá de metro, Satanás!
– Os conferencistas ateus não têm Papas na língua.
– Sabe onde é que Alberto moravia?
– Quem não tem Rolls rói-se.
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▪ José Sesinando, o outro nome de José Palla e Carmo (1923‑1995)
(Portugal 🇵🇹 )
Quando pela primeira vez olhei uma pintura verdadeira
dei alguns passos atrás instintivamente
sobre os calcanhares
procurando o local exacto de
onde pudesse explorar sua profundidade.
Foi diferente com as pessoas:
Construi-as,
amei-as, mas não cheguei a amá-las plenamente.
Nenhuma chegou tão alto quanto o tecto azul.
Como numa casa inacabada, parecia haver uma folha de plástico por cima delas,
por vez do telhado
no princípio do outono chuvoso da minha compreensão.
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▪ Luljeta Lleshanaku
(Albânia 🇦🇱)
Poesia mudada para português por João Luis Barreto Guimarães
Estou, afinal, perto do mar e da sua ciência. Ninguém pode exigir ao mar que traga todos os barcos, ou ao vento, que encha todas as velas. De igual modo, ninguém tem o direito de me exigir que viva prisioneiro de certas funções. A minha divisa não é o dever antes de tudo, mas a vida acima de tudo. Como os outros homens, tenho direito a alguns momentos em que possa sentir-me à parte, em que possa saber que para além de pertencer a essa massa anónima chamada população mundial, sou também uma unidade autónoma.
Só nesses instantes me liberto de tudo o que na minha vida foi causa de desespero. Reconheço que o mar e o vento não deixarão de me sobreviver e que a eternidade nem sequer de mim se lembra. Por que me hei-de eu lembrar dela? A vida só é curta se a coloco no patíbulo do tempo.
As suas possibilidades só são ilimitadas se me ponho a contar o número de palavras ou livros que a morte me dará ainda tempo de acender. Mas por que me hei-de eu pôr a contar? No fundo, o tempo de nada serve, inútil instrumento de medida que só regista o que a vida já me trouxe.
Na verdade nada do que é importante e acontece e me faz vivo, tem a ver com o tempo. O encontro com um ser amado, uma carícia na pele, a ajuda no momento crítico, a voz solta de
uma criança, o frio gume da beleza- nada disso tem horas ou minutos.
Tudo se passa como se não houvesse tempo. Que importa se a beleza é minha durante um segundo ou por cem anos? A felicidade não só se situa à margem do tempo, como nega toda a relação deste com a vida.
Assim, num só movimento, liberto os ombros do peso de dois fardos : o tempo e as tarefas que teimam em me exigir. Nem a vida é mensurável, nem viver é uma tarefa. O salto do cabrito ou o nascer do sol não são tarefas. Como há-de sê-lo a vida humana- força surda a crescer na dor da perfeição? E o que é perfeito não desempenha tarefas. O que é perfeito labora em estado de repouso. É absurdo pretender que a função do mar seja exibir armadas e golfinhos.
Evidentemente que o faz – mas preservando toda a sua liberdade. Que outra tarefa a do homem, senão viver? Faz máquinas? Escreve livros?
Faça o que fizer, poderia muito bem fazer outra coisa. Não é isso que importa.
Importa é saber-se livre como qualquer outro elemento da criação.
Importa é saber-se um fim autónomo, que repousa em si mesmo como uma pedra sobre a areia.
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▪ Stig Dagerman
( Suécia 🇸🇪 )
in “A Nossa Necessidade de Consolo é Impossível de Satisfazer”, Editora Fenda, 2004
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